Os prefeitos de Osasco, Jandira, Pirapora do Bom Jesus, Barueri, Itapevi, Carapicuíba e Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, cobraram da Sabesp a implantação dos serviços adequados de coleta e de tratamento de esgotos nos municípios, em reunião, ontem (28/10), com o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira. A reunião aconteceu depois de muitas reclamações dos administradores que pedem uma ação mais firme da empresa para resolver os problemas enfrentados pelos moradores dessas cidades.

Os prefeitos exigiram da Sabesp planos de investimentos, cronograma e metas para garantir a implantação dos serviços de coleta e de tratamento dos esgotos. A empresa respondeu que irá acelerar os investimentos  e deverá tratar pelo menos 70% do esgoto da região metropolitana de São Paulo até 2012. Até 2018, o objetivo é que todo o esgoto dos municípios seja tratado.

Os prefeitos decidiram se reunir para enfrentar juntos os problemas da falta de saneamento nos municípios após a expedição do flutuador – projeto desenvolvido pela Rede Globo e pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) –  que mostrou a situação dos rios que cortam essas cidades. Puxado pelo explorador Dan Robson, o flutuador saiu de Biritiba Mirim e percorreu mais de 500 quilômetros no rio Tietê. Dan e o flutuador passaram por 30 municípios,  durante 32 dias de viagem, e encontraram muita poluição – até carcaças de carro – dentro do rio. O flutuador percorreu cerca de 500 km e terminou o percurso no dia 2 de outubro em Barra Bonita, a 267 km da capital paulista.

Quando passou por Osasco, no dia 14 de setembro, o guardião, Dan Robson, teve até que usar máscara por causa do cheiro ruim. O nível de oxigênio no Tietê era de apenas 0,03. Osasco tem 700 mil habitantes e coleta 61% do esgoto, mas só trata 8% da sujeira. Barueri tem 253 mil habitantes e é o terceiro município mais rico do estado. A cidade coleta 54% do esgoto, mas não trata nada. É justo ali que fica a maior estação de tratamento da Sabesp, na região metropolitana. Quando o flutuador passou por Barueri, registrou apenas 0,01 de oxigênio na água, índice considerado péssimo.

O flutuador e o guardião seguiram pelo Tietê e atravessaram Santana de Parnaíba, no meio de muito lixo e espuma. A medição registrou só 0,01 de oxigênio. Com quase 100 mil moradores, Santana de Parnaíba coleta 26% do esgoto que produz e, também, não trata nenhuma gota. Joga toda a sujeira no rio. Em Carapicuíba, o flutuador mediu um nível de oxigênio péssimo: 0,03. A cidade, de 400 mil habitantes, coleta 56% do esgoto e trata só 5%.

O Trata Brasil alerta que somente com a conscientização da população sobre os impactos sociais e ambientais provocados pelo esgoto das cidades. que não é coletado nem tratado adequadamente, é que a meta apresentada aos prefeitos poderá ser alcançada. Para se conscientizar desses impactos acesse as pesquisas Trata Brasil contratadas com a FGV pelo site www.tratabrasil.org.br

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