Enquanto o número de domicílios atendidos pela rede de esgoto ultrapassa um pouco mais da metade dos lares brasileiros, apenas 39,58% das escolas do País têm acesso ao serviço de coleta de esgoto. O resultado faz parte da pesquisa A Falta que o Saneamento Faz do Instituto Trata Brasil, encomendada a Fundação Getúlio Vargas (FGV), com análise dos micro dados do Censo Escolar 2008, e divulgada no último dia 24, em São Paulo. A série completa de pesquisas Trata Brasil/FGV está disponível no site www.tratabrasil.org.br 

Para o presidente do Instituto Trata Brasil, Raul Pinho, o quadro é muito preocupante. “Crianças que vivem ou estudam em áreas sem acesso aos serviços de saneamento básico tem redução de 18% no aproveitamento escolar quando comparadas com crianças que têm acesso aos serviços”, alerta. Segundo ele, do mesmo modo que existem programas de alimentação com merenda escolar, é preciso que  as políticas públicas levem os serviços de saneamento para as escolas. 

A falta de saneamento coloca em risco à saúde especialmente das crianças, que estão entre as principais vítimas na faixa etária entre 1 e 6 anos com probabilidade 32% maior de morrerem por doenças relacionadas a falta de acesso a esgoto coletado e tratado de forma adequada.  Outra vítima potencial da falta de rede coletora de esgoto é a grávida, aumentando em 30% as chances de ter filho nascido morto. De acordo com a pesquisa Trata Brasil Saneamento e Saúde, divulgada em 2008, cerca de 200 crianças nessa faixa etária morrem por mês, no Brasil, em decorrência de doenças ligadas à falta de saneamento. 

O ranking de instituições de ensino com acesso ao serviço de coleta é liderado por Belo Horizonte (MG), onde quase todas as escolas (99,6%) estão ligadas à rede de esgoto. Em seguida aparece Vitória (ES), com alcance de 97,7%; e Rio de Janeiro (RJ), com 97%. Com 93,7% das escolas conectadas à rede, São Paulo aparece em sexto lugar. Nas últimas posições, estão Boa Vista (RR), Macapá (AP) e Porto Velho (RO), onde o porcentual de instituições de ensino com acesso à coleta é de 31,4%, 14,9% e 9,3%, respectivamente.

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