No Brasil, nas cidades do Brasil, depois da tempestade vem à inundação, depois da inundação vem à infecção. Já comentamos isso aqui na semana passada, mais é bom repetir, porque no transbordamento dos rios, que são transformados em fluxo de esgoto a céu aberto, como se estivesse, a coleta sem tratamento resolvendo o problema e não espalhando o problema, as doenças da água podre respondem por metade da mortalidade infantil no Brasil.

Precisa dizer mais?

Ou por 2/3 das internações hospitalares no SUS.

Precisa dizer mais?

Cada real investido em saneamento pouparia R$ 4,30 do orçamento da saúde.

Não precisa dizer mais nada.

Agora, dizem ai, e foi dito aqui na abertura do programa, que, falta vontade política da classe política brasileira, de enfrentar o problema, o problema da habitação e o problema do saneamento, sem os quais, as áreas de risco vão continuar imperando.

Então você precisa tratar da habitação, tratar do saneamento, tratar de reurbanização e tratar da renda dos miseráveis pra conseguir resolver esse problema.

É claro que vontade política não basta. É preciso competência administrativa no desenvolvimento desses programas, e são programas para 1, 2, 3, 4 governos e não para o governo da vez.

Bom, quando coletado o esgoto não é tratado, ai começa o maior desafio técnico. A falta de coleta e tratamento de esgoto, a falta de coleta e reciclagem do lixo que acaba fazendo uma dobradinha perfeita com o esgoto e o lixo. Isso tudo não é uma prioridade nacional, não aparece nem nas campanhas, nem nos palanques, nem nas promessas, coitado do saneamento, não merece nem promessa, mais é com certeza a nossa maior tragédia ambiental, com enchente ou sem enchente, porque a questão do saneamento ataca todo mundo, 365 dias do ano, 24 horas por dia. Bom, tratar esgoto, enterrar cano de esgoto, sempre dissemos: Não dá foto; se não dá foto, não dá voto.

Mesmo sabendo que para cada real, repito, aplicado em saneamento seriam poupados R$ 4 do orçamento da saúde, além claro, do resgate da dignidade de vida de pelo menos 70 milhões de brasileiros ainda desfalcados do chamado saneamento ambiental. Este deveria ser o alvo das políticas publicas de saneamento, vulgo universalização do acesso a água tratada, ao esgoto coletado e tratado e ao lixo coletado e reciclado. Esse desafio exigiria a custos, preços e prazos de hoje, investimentos públicos de R$ 12 bilhões por ano, nos próximos 15 anos. Ou se preferem, nada além de 1 décimo da massa de juros que o tesouro nacional paga por ano na rolagem da divida publica de mais de R$ 2 trilhões. Então anotem ai que estamos na semana do Copon, na semana dos juros. Bastaria o corte de 1 ponto percentual da Selic. Na reunião desta quarta-feira, para liberar agora em 2011 os R$ 12 bilhões por ano para água, esgoto e lixo.

por Joelmir Beting da rádio Bandeirantes. Ouça o comentário.

Para fins de direitos autorais de imagem, declaro que a foto usada acima não é de nossa autoria e que o autor não foi identificado.
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