Desde os anos 20, há relatos de debates sobre lançamentos de resíduos no Rio Tietê, e desde então o descaso permanece o mesmo. O rio é fruto da falta de planejamento para a ocupação do solo nas grandes cidades. No passado, os rios foram considerados um obstáculo ao desenvolvimento urbano, então foram realizados modificações para “desaparecer” com os rios pequenos e “esticar” os grandes em prol da valorização imobiliária e da pseudo-mobilidade. Não se cuidou dos rios e nem houve o mínimo planejamento sanitário para suportar a migração em massa das pessoas das áreas rurais e de outras regiões do país para as metrópoles, sobretudo na Grande São Paulo.

É certo que grande parte da poluição do Rio Tietê ainda vem da chamada “poluição difusa”, ou seja, de resíduos de todos os tipos lançados pela população e das áreas da cidade onde a coleta do lixo doméstico deixa a desejar. Mas está provado, no entanto, que nada impacta mais o rio do que o lançamento indiscriminado dos esgotos. Grandes municípios da região metropolitana de São Paulo ainda tratam muito pouco seus esgotos, que tem no Tietê seu destino. Cidades como Itaquaquecetuba e Mauá ainda tratam menos de 10% de seus esgotos. Guarulhos, Diadema, Osasco, Mogi das Cruzes, São Bernardo do Campo e Carapicuiba, menos de 30%. São Paulo, Suzano e Santo André, por exemplo, ainda necessitam tratar metade desses resíduos.

A despoluição do Tietê necessita de um pacto pelo saneamento básico – urgente e envolvendo população, Governo do Estado e todos os prefeitos das cidades da Bacia do Alto Tietê. É preciso que todos trabalhem juntos. A solução do problema é técnica, mas somente ocorrerá se houver um grande arranjo político. Não será a ideologia partidária que conseguirá a limpar o Tietê. A seriedade, a eficiência e a tecnologia, sim.

Édison Carlos, presidente executivo do Trata Brasil

Foto: Dan Robson Dias
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