Muitos locais que poderiam ter coleta de esgoto, não têm por conta da resistência dos moradores
Muitos locais que poderiam ter coleta de esgoto, não têm por conta da resistência dos moradores

Ano após ano o poder público e o setor privado têm investido para garantir a universalização do saneamento básico. Ainda estamos longe do ritmo ideal de avanços nos serviços de água tratada, coleta e tratamento dos esgotos, mas aos poucos temos avançado. Há, no entanto, um grave problema a ser considerado: mesmo em locais em que existe o serviço de coleta de esgoto muitas pessoas resistem em conectar suas casas à rede. É a chamada “ociosidade das redes de esgoto”.

Um estudo do Instituto Trata Brasil, em parceria com a Coordenação de Saneamento da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Reinfra Consultoria, estimou que, na média das 100 maiores cidades do país, 63% da população tem coleta de esgoto. No entanto, somente nessas cidades mais de 3,5 milhões de pessoas poderiam conectar suas casas às redes de esgotos, mas não o fazem. Muitos são os motivos alegados: não querer pagar a tarifa do esgoto, falta de capacidade de pagamento, o morador não quer danificar piso da residência para passar a rede interna, ausência de programas de estímulo à interligação, a inexistência de sanções e penalidades, entre outros.

O volume de esgoto gerado nessas ligações ociosas dos 100 maiores municípios do país, e que poderia ser tratado, é de cerca de 28 milhões de m³/mês. Significaria menos 379 piscinas olímpicas de esgoto não tratado por dia sendo jogadas na natureza, 11.382 piscinas olímpicas por mês ou 136.581 piscinas olímpicas por ano. Se as redes ociosas fossem conectadas, a receita adicional dos 100 municípios com o serviço seria de R$ 890 milhões a R$ 1,5 bilhões por ano.

Muitos desses municípios possuem legislação que torna obrigatória a conexão a rede de coleta de esgoto, mas em vários não há fiscalização ou aplicação das punições. E como resolver isso? Algumas das respostas foram por investir em campanhas de informação e de educação ambiental nas escolas, cobranças de tarifas quando há serviço na rua – mesmo se não houver ligação – e incentivo econômico à população de baixa renda para realizar as ligações.

Em resumo, o estudo mostra que a coleta de esgoto, que faz parte do saneamento básico, ainda não é vista como importante para muitas pessoas, principalmente porque falta informação a respeito. Precisamos, portanto, conscientizar a população de que quanto mais moradias estiverem conectadas às redes de coleta de esgoto, mais benefícios teremos nas áreas da saúde, cidadania e educação. As autoridades precisam ampliar as redes de esgoto, mas o cidadão também precisa fazer a sua parte.

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